Salto do Yucumã

Salto do Yucumã ou Salto Grande

Através de uma estrada de 15 km, que atravessa as matas exuberantes do parque, chega-se até a área de lazer do Salto do Yucumã. Com cerca de 500 m, a trilha que leva até o Salto é feita a pé.

O Salto do Yucumã é considerado a mais extensa queda longitudinal do mundo, com 1800 metros. A altura das quedas varia conforme o nível do rio Uruguai, podendo chegar até cerca de 20 metros. Há épocas, no entanto, em que o rio fica totalmente encoberto, quando as quedas então não podem ser visualizadas, e os lajedos não ficam expostos para o visitante caminhar.

O Salto abriga uma biodiversidade bem típica, com espécies ameaçadas de extinção, como a bromélia-do-rio.

Salto do Yucumã 06.05.12 modificcado.jpg

Salto do Yucumã, PE do Turvo. Foto: D. Meller.

Hidrelétricas do rio Uruguai e o Salto

Duas são as preocupações em relação às hidrelétricas do rio Uruguai que ameaçam o Parque Estadual do Turvo.

A primeira refere-se à visibilidade do Salto do Yucumã e a mortandade de peixes neste ecossistema tão singular. Uma vez que o nível do rio sobe e desce diariamente, conforme a vazão liberada pela hidrelétrica de Foz do Chapecó, que fica localizada antes do Salto, o mesmo aparece ou desaparece em questão de horas. Muitos turistas se frustam pelo Salto estar cheio ou então se deparam com diversos peixes presos em poças quando o rio baixa rapidamente. A grande maioria acaba morrendo, todos os dias. Impactos turísticos e ambientais que certamente não foram contemplados na construção da usina… E essa situação ainda pode ser agravada se construírem a hidrelétrica no município de Itapiranga, que ficaria bem mais próxima do Salto.

A segunda preocupação refere-se à perda de floresta primária na formação do reservatório do complexo Garabi-Panambi, que ainda está em fase de estudos e ficaria abaixo do Salto. O alague provocado pela barragem, a ser situada no município de Alecrim, não só prejudicaria a visibilidade do Salto como parte da unidade de conservação seria alagada. São áreas de floresta primária que servem de último reduto no estado gaúcho para animais como a onça-pintada, a anta e até a maior águia brasileira, a harpia. 

DJI_0201.JPG

Balseiros do Rio Uruguai

Faz parte da memória de balseiro “o tempo em que se podia beber a água dos rios sem medo da contaminação“, e há saudades “do tempo em que se podia viver nas matas, sem a interferência do colonizador” (Fonte: Memórias de Balseiro).

Assim cantava o cantor das águas, Cenair Maicá, a respeito deste rico tempo preservado na memória dos balseiros e entonado na voz de tantos cantores nativistas nos dias atuais:

Oba viva veio a enchente, o Uruguai transbordou, vai dar serviço pra gente. Vou soltar minha balsa no rio, vou rever maravilhas, que ninguém descobriu. …E ao chegar no Salto Grande, me despeço deste mundo, rezo aos céus e a São Miguel e solto a balsa lá no fundo…

balseiros no salto.jpg

Balseiros na perigosa travessia do Salto do Yucumã. Foto: Internet.

______________
Tópicos relacionados:
Uso Público
Informações ao Visitante
Centro de Visitantes
Trilhas

 

Anúncios