Prioridades de pesquisa

O PLANO DE MANEJO DO PARQUE ESTADUAL DO TURVO tem em seu PROGRAMA DE PESQUISA E MONITORAMENTO os seguintes OBJETIVOS e SUBPROGRAMAS:

OBJETIVOS

 – Monitorar as populações e comunidades de maior interesse para a conservação;
– Monitorar a sucessão natural e induzida nas ações de recuperação;
– Monitorar os impactos potenciais da visitação no Parque;
– Avaliar e monitorar o impacto das hidrelétricas nos ambientes aquáticos junto ao Parque;
– Difundir técnicas e práticas de recuperação da cobertura florestal;
– Estimular pesquisas sobre fragmentação e efeito de borda;
– Incentivar pesquisas sobre Avaliação de Viabilidade Populacional AVP, das espécies que ocorrem no Parque;


SUBPROGRAMA DE INVESTIGAÇÃO

– Incentivar a realização de pesquisas na Zona de Amortecimento e região de inserção do Parque, incluindo áreas no Estado de Santa Catarina e Argentina, visando o melhor conhecimento dos aspectos físicos, bióticos, histórico-culturais e a busca de formação de corredores ecológicos entre fragmentos de vegetação nativa;

– Estudar o impacto das hidrelétricas no Parque;

– Realizar levantamento fitossociológico nas áreas mais preservadas, para determinar padrões a serem atingidos nas áreas em recuperação e incentivar pesquisas sobre dinâmica de fragmentos e efeito de borda;

– Acompanhar o ciclo de vida das taquaras (Merostachys sp. e Chusquea sp.) e avaliar o efeito do florescimento e frutificação dessas espécies sobre a fauna e a flora;

– Avaliar impacto dos agrotóxicos em espécies animais nativas;

– Identificar e avaliar áreas potenciais como corredores biológicos, possibilitando a dispersão de espécimes entre os principais remanescentes florestais da região;

– Incentivar a realização de pesquisas que permitam visualizar a necessidade de inclusão de áreas da província de Misiones, na Argentina, na Zona de Amortecimento do Parque.

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Criciúma (Chusquea sp.) em frutificação no PE do Turvo. Foto D. Meller.

SUBPROGRAMA DE MONITORAMENTO DA BIODIVERSIDADE E PROCESSOS ECOLÓGICOS

 – Monitorar as populações de espécies da fauna e da flora que constam na lista de espécies ameaçadas de extinção no Rio Grande do Sul;

– Monitorar áreas em sucessão, incluindo áreas das taperas e onde foram retiradas exóticas, com ênfase na detecção de ganhos e perdas locais de espécies;

– Monitorar corredores biológicos, após indicados, para avaliação de sua efetividade em relação ao Parque;

– Monitorar a população de gravatá (Dyckia brevifolia);

– Monitorar o regime hidrológico e a fauna do rio Uruguai;

– Monitorar o clima local;

– Monitorar a população de rã-touro (Rana catesbeiana), indicando ações de controle/erradicação;

– Monitorar épocas de floração e frutificação, assim como mecanismos de polinização e dispersão das espécies que se sobressaem nas formações florestais;

– Monitorar o efeito do fogo, quando ocorrente, sobre a vegetação.

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Touceira de gravatá ou bromélia-do-rio (Dyckia sp.) no Salto do Yucumã. Foto: Viviane Klein.

SUBPROGRAMA DE MONITORAMENTO DE FATORES IMPACTANTES

– Monitorar risco de incêndios em função do florescimento das taquaras no interior do Parque;

– Monitorar uso de agrotóxicos na Zona de Amortecimento e seus impactos sobre o Parque;

– Monitorar a colonização de espécies exóticas invasoras na Zona de Amortecimento, especialmente nos limites do Parque;

– Estabelecer pontos de amostragem e monitorar parâmetros físicos, químicos e biológicos dos ambientes aquáticos lóticos e lênticos do interior do Parque e em sua Zona de Amortecimento;

– Identificar áreas do Estado de Santa Catarina e da Argentina para monitoramento de fatores impactantes que possam causar prejuízos ao Parque do Turvo;

– Monitorar o impacto da fauna nas lavouras e criações lindeiras;

– Avaliar e monitorar o impacto do turismo na fauna, flora e funcionamento do ecossistema (selecionar fatores biofísicos).

 

SUBPROGRAMA DE MONITORAMENTO DA INFRA-ESTRUTURA E AVALIAÇÃO DO PLANO DE MANEJO

 – Estabelecer parâmetros e monitorar a capacidade de suporte de visitantes sobre os ecossistemas do Parque.

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Caninana (Spilotes pullatus) atropelada na Estrada do Salto. Foto: D. Meller.

CONSIDERAÇÕES E RECOMENDAÇÕES

Algumas espécies de taquaras do gênero Merostachys florescem somente a cada 30 anos, morrendo logo após. No ano de 2004, teve início a floração das taquaras no Parque. A frutificação das plantas dessas espécies é descontínua em toda a área do Parque, havendo locais em que, até o momento da elaboração do Plano de Manejo, ainda não havia florescimento. O acompanhamento desse processo deve ser uma prioridade de estudo no Parque, assim como os efeitos desse fenômeno sobre a fauna nativa local. Além disso, após a morte das plantas, há um incremento expressivo de biomassa no solo da mata, aumentando o risco de incêndios florestais.

É recomendável o estabelecimento de parcelas permanentes para o monitoramento das áreas em sucessão, assim como setores com vegetação primária. As atividades realizadas na Zona de Amortecimento devem ser monitoradas para que seus efeitos sobre o Parque sejam acompanhados. Esse monitoramento pode indicar a alteração da referida zona, avaliando a necessidade de inclusão ou exclusão de áreas.

Na sede do Parque deve haver um banco de dados dos projetos de pesquisa e monitoramento executados na unidade e seu entorno, bem como um espaço para arquivamento de cópias dos resultados dos trabalhos.

A execução do Plano de Manejo deve ser acompanhada pelo Conselho Consultivo da unidade, através de um relatório anual indicando a evolução da implementação do referido documento e a necessidade de modificações.

A população de Dyckia brevifolia sofreu evidente declínio em anos recentes, estando, hoje em dia, praticamente extinta, suspeitando-se ser conseqüência de possíveis alterações no regime hidrológico do rio Uruguai a partir da construção de usinas hidrelétricas na região Hidrográfica do rio Uruguai. A situação da espécie justifica a reprodução ex-situ, porém a reintrodução carece de estudos que indiquem sobre os requisitos de hábitat e fatores determinantes do declínio.

Existem indícios de que a população de antas esteja aumentando no Parque em função de suposta diminuição da população de carnívoros de grande porte. Entretanto, não existem estudos confirmando qualquer das suspeitas.

São recorrentes as reclamações de agricultores sobre impactos da fauna silvestre que sai da mata. Estudos recentes sugerem que este impacto seja pontual. Além do monitoramento continuado destes impactos, é necessário avaliar o impacto econômico dos danos e estudar técnicas de prevenção. A compensação dos danos, pelo menos no caso dos carnívoros, é a melhor opção no momento.

A implementação do Plano de Manejo vai disciplinar o modo de visitação turística do Parque. O monitoramento da carga de turistas e de indicadores de impacto é necessário para avaliar a necessidade de restrições no número de visitantes no futuro. Os impactos mais prováveis incluem o afugentamento de fauna, a diminuição ou perda localizada de espécies ornamentais, o comprometimento local da regeneração da mata, o acúmulo de lixo nas trilhas, o risco de incêndios e a erosão do solo pelo pisoteio.

Quanto ao monitoramento da fauna exótica, a rã-touro foi encontrada em banhados alterados, próximos à estrada do Salto. É possível que esta espécie esteja invadindo áreas conservadas, com impactos sobre a fauna aquática e outros anfíbios.

É interessante algum estudo de monitoramento a respeito da população de bugios-ruivos (Alouatta guariba), uma vez que parece ter sofrido algum declínio nos últimos anos.

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Bugio-ruivo no PE do Turvo. Foto: D. Meller.

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