Fauna

Peixes

Entre as espécies de peixes ocorrentes no rio Uruguai, pode-se citar como grandes migradoras: dourado (Salminus maxillosus), grumatã (Prochilodus lineatus), piava (Leporinus spp.), surubim-pintado (Pseudoplatystoma coruscans), bracanjuva (Brycon orbignyanus) e cascudo-preto (Pogonopoma sp.), sendo que as quatro primeiras possuem importância comercial (informações adaptadas a partir de dados da bacia do rio Paraná, segundo Agostinho, 1993).

O dourado é uma espécie carnívora ocupando os níveis tróficos mais elevados nos rios em que ocorre. Aparentemente, não há relação entre seus requerimentos alimentares e o declínio de suas populações. Entretanto, essa espécie está entre as mais visadas nas pescarias sendo alvo de capturas predatórias, inclusive no período da piracema, quando há concentração de indivíduos em determinados locais como o Salto do Yucumã. A pressão de pesca aliada às baixas densidades populacionais parecem ser as causas do declínio do número de dourados. Essa espécie encontra-se na Lista das Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção no Rio Grande do Sul (Decreto nº 41.672, de 11 de junho de 2002).

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Dourado nos lajedos do Salto.

Tanto a bracanjuva, quanto o dourado, são espécies de piracema, ou seja, necessitam realizar grandes migrações rio acima para completar seu processo reprodutivo. Dessa forma, ambas podem estar sendo afetadas por interrupções no fluxo natural do rio Uruguai decorrentes dos barramentos de empreendimentos hidrelétricos que não dispõem de estruturas adequadas para a transposição dos peixes.
 
Anfíbios
 
Do ponto de vista da anfibiofauna, a zona do Parque Estadual do Turvo insere-se na região Atlântica (Lutz, 1972), que ocupa no Brasil serras da Mata Atlântica do Rio Grande do Sul, com alguns elementos podendo se estender até o oeste catarinense e noroeste gaúcho sendo, no entanto, pobremente conhecida. Segundo este mesmo autor, a área do Parque também sofre influência do Chaco sendo cercado por uma zona de campos que se prolongam ao sul no Uruguai e a sudoeste na Argentina, representando o limite de distribuição de algumas espécies.
 

Dentre as espécies de anfíbios registradas, aquelas com maior interesse para a conservação são justamente as que apresentam distribuição mais restrita, configurando até mesmo casos de endemismos. Hyla curupi, Limnomedusa macroglossa e Phyllomedusa tetraploidea são três espécies endêmicas da região que possuem poucos espécimes depositados em coleção.

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Limnomedusa macroglossa, rã de corredeiras e pedras. Foto: D. Meller.

Répteis

Entre os répteis são conhecidas, também, algumas espécies que apresentam distribuição marginal no Estado associada ao curso do rio Uruguai.

 
A espécie de réptil com distribuição mais restrita na região, que exemplifica a singularidade da UC, é o jararacuçu (Bothrops jararacussu), uma espécie que se acreditava ser rara no Parque, mas que demonstrou ser abundante no interior da unidade. Cabe destacar que, até o momento, não existem informações sobre exemplares vivos desta espécie em nenhuma outra área do Rio Grande do Sul. Uma segunda espécie de serpente de grande porte que foi registrada em várias ocasiões e que parece ser abundante na unidade é a caninana (Spilotes pullatus). Essa espécie é a maior serpente colubrídea do Estado e apresenta hábitos subarborícolas.
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Jararacuçu. Foto: D. Meller.

Por serem espécies de grande porte e restritas às áreas florestadas, considera-se a abundância de ambas espécies um indício concreto da eficiência do Parque em preservar a diversidade de répteis da região.

Aves
 
Segundo Belton (1994), o extremo norte do Rio Grande do Sul mostra a influência do interiorperitropical do Brasil em sua avifauna e é a única região do Estado onde ocorrem, por exemplo, o peixe-frito-pavonino (Dromococcyx pavoninus), o araçari-castanho (Pteroglossus castanotis), o araçari-banana (Baillonius bailloni), a trovoada-de-bertoni (Drymophila rubricollis), a viuvinha (Colonia colonus), o bem-te-vi-pequeno (Myiozetetes similis), o estalador (Corythopis delalandi) e a saíra-de-chapéu-preto (Nemosia pileata). Do ponto de  vista ornitológico, essa parte do território gaúcho apresenta um interesse especial, por concentrar diversas espécies de aves que se distribuem apenas marginalmente no Estado.
 
O Parque do Turvo é, possivelmente, a única área florestal do Estado onde a avifauna original ainda permanece integralmente representada, embora algumas espécies em particular seguramente tenham declinado devido à ação de caçadores (e.g., a jacutinga).
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Jacutinga. Foto: Luana Almeida.

 Mamíferos
  
A mastofauna da região, por sua vez, sofre influência de diferentes biomas e está intimamente relacionada à geografia dos grandes rios. O Parque do Turvo está inserido em uma região zoogeográfica limitada pelo rio Paraguai ao norte e pela bacia do Paraná/Prata ao sul (Redford & Eisenberg, 1992). Pelo menos cinco biomas presentes na porção sul da América do Sul têm seus elementos representados na região: Pampa, Chaco paraguaio, Floresta com Araucária, Floresta Estacional e Floresta Atlântica.
 
Estão presentes no Parque espécies com ampla distribuição na América Neotropical, como a onça-pintada (Panthera onca), anta (Tapirus terrestris) e tapiti (Sylvilagus brasiliensis), que podem ser encontrados na Amazônia, no nordeste brasileiro e nas florestas da Serra do Mar.
 
Dentre as espécies de ungulados, a anta (Tapirus terrestris) tem no Parque do Turvo seu último refúgio em território gaúcho. Em função da caça acentuada, a espécie foi praticamente extinta no Estado. As observações realizadas apontam para um crescimento no contingente da unidade, gerando, inclusive, casos de invasões de áreas vizinhas por alguns indivíduos, possivelmente em decorrência da competição intraespecífica por espaço. A anta integra a Lista das Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção no Rio Grande do Sul (Decreto nº 41.672, de 11 de junho de 2002).
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Anta no PE do Turvo.

* Fonte das informações: Plano de Manejo do PE do Turvo (Silva et al. 2005).
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Tópicos relacionados:
Biodiversidade
Flora 

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